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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Europa aos 18 anos

Se eu aos 18 anos tivesse este bilhete... 

Teria poupado uns trocos!

Em vez de ir a Lichinga e ao Kosovo apenas após os 25 anos de idade, teria feito outras opções que me levariam a outros destinos.

Se essas opções seriam melhores ou não... sabe-se lá! Nunca sabemos sobre aquilo que não vivemos.

O que sei é que agora em adulta conheço dois jovens adultos com 18 anos acabadinhos de fazer que têm estes bilhetes na mão, neste caso na aplicação do telemóvel. São 7 vezes 24h de comboio para utilizar durante um mês, por toda a Europa.

Interrail Europa


E que orgulho tenho deles por pensar à frente para viver o futuro da melhor forma, tendo já a certeza de que só depende deles próprios e das opções que fazem, e não das opções que alguém faz por eles.

Com eles fiquei a saber que não há desculpa para não viajar. Com eles fiquei a saber que as portas da Europa estão abertas a qualquer jovem adulto de qualquer aldeia da terra mais escondida de Portugal.

Para quem é?

Pessoas com 18 anos com nacionalidade dos países que pertencem à União Europeia, o que é o caso de Portugal.

Como conseguir o bilhete?

Aconselho a visitar o site da União Europeia: https://europa.eu/youth/discovereu_pt.

A partir daí seguir as instruções, de preferência com os amigos, caso não queira viajar sozinho.

Claro que também pode ir sozinho, e com certeza que encontrará mais jovens na mesma situação e rapidamente novas amizades surgem.

Para além da viagem

A escola da vida... 

Se aos 18 anos, antes de entrar para a faculdade, se conseguir ver o mundo para além do nosso próprio retângulo, as oportunidades como adulto serão imensas.

Ficamos a perceber melhor como funciona o intercâmbio entre países e a própria União Europeia, o que nos traz vantagens competitivas no mercado de trabalho, e que nenhuma faculdade ensina.

A autonomia para viver como cidadão ativo é superior a quem não vive este tipo de experiências, e que a faculdade não consegue ensinar, apenas exigir.

Ganhamos vocabulário prático em vários idiomas, o que facilita a escolha de locais de estudo e trabalho futuros, e que  normalmente só se consegue com investimento em cursos de línguas pagos.

E mais uma imensidão de aspetos que caberá a cada um descobrir conforme os interesses que desvendar ao longo dos quilómetros de comboio pela Europa, das cidades que conhecer, das pessoas com quem conviver.

A mim resta-me desejar que os jovens adultos que comigo convivem consigam dar este clique no site https://europa.eu/youth/discovereu_pt e começar a viver.

Boas vivências!


sábado, 28 de novembro de 2020

Adolescência mascarada


De autocarro, a pé ou com boleia dos pais ou outros familiares e amigos, lá vão eles, de segunda a sexta, para o local onde desempenham a sua função de aprendizes: a escola.
Numa idade em que importa perceber as expressões, importa saber como se reage, importa escolher com quem conviver, todos têm que andar de máscara. A idade de formar a sua própria identidade está sujeita ao uso de máscara.
Se a adolescência é, já de si, uma fase da vida em que tudo acontece e normalmente está errado, usar mais de metade da cara tapada veio dificultar a tarefa.
Parece que não, pois até sabe bem algum anonimato, mas sim...
Quem é tímido sente-se protegido. E quando tiver que tirar a máscara?
Quem é extrovertido sente-se popular pois utiliza as melhores máscaras. E a sua afirmação de identidade?
Isto para o próprio adolescente... E muito haveria a falar sobre ele mas cabe a si refletir sobre si próprio e sobre quem o rodeia!
Mas... O que me deixa mesmo preocupada é o que acham os adolescentes dos adultos portugueses que NUNCA tiveram que utilizar a máscara, muito menos para dar aulas.
Todos os dias ouço casos que me deixam de boca aberta e tento desculpar os professores pela fase má em que vivemos e ao que eles estão sujeitos...
Como irão os adolescentes saber como colocar língua, dentes e lábios quando aprendem uma língua nova como o Francês ou aperfeiçoam o Inglês com o seu professor de boca tapada?
Como irão os adolescentes ouvir os professores de História a contar a história real de todos os tempos se já normalmente a maioria acha "uma seca"?
Como irão os professores introduzir a disciplina de Físico-Química ao 3º ciclo se não podem demonstrar pelas expressões faciais o que realmente sentem sobre toda a informação que o Universo nos oferece?
E... 
Os namoros?
Como se começam namoros inocentes de máscara?!?!
Eu, que ao comunicar com eles diariamente gosto de dramatizar, exprimir ideias pelas posturas e expressões para demonstrar que estou com eles e por eles quando o tempo é deles, sinto tanta dificuldade em que eles se abram...

"Eu não fui adolescente como vocês estão a ser agora... Têm que ter calma com os adultos... Estamos todos baralhados!"

Boa adolescência!