Desde 22 deste mês estou por terras de Moçambique com o objetivo de lecionar na Escola D. Luis Gonzaga em Lichinga, provincia de Niassa.
Esta escola nasceu do projecto Seiva coordenado pela congregação das Irmãs Doroteias.
Para saber mais basta ir ao site www.seiva.co.pt.
Entramos assim numa fase de partilha cultural e socioeducativa, iniciada pelo envolvimento da Fundação Benjamim Dias Costa, em particular, a Sala Terra.
É nesta perspectiva, de partilha e envolvimento mútuo, que pretendemos encaminhar este processo de ensino-aprendizagem.
Claro que existirão comparações, pois a realidade da Europa não coincide em nada com a realidade de África, principalmente no meio mais desfavorecido onde nos encontramos e com quem estamos a trabalhar.
Para começar, em vez de professoras, somos agora "titias", tal como todas as auxiliares que nos acompanham para aprenderem a ensinar e continuar a fazê-lo quando regressarmos a Portugal.
Como alguém diz "Não vamos pescar por eles, mas sim ensinar como se pesca".
Espero que gostem desta viagem tanto como eu já estou a gostar.
:)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Boas notícias!
Deixo aqui a indicação do artigo de opinião "Uma ovelha negra não estraga o rebanho!" de M. Margarida Rufino publicado no Jornal de Cascais N.º 247 de 15 de Dezembro de 2010.
Este artigo faz referência ao Relatório PISA, ocultando os dados bastante satisfatórios referentes ao desempenho dos professores.
Para além de serem vistos pelos alunos como disponíveis e prestáveis mesmo fora das aulas, reflectindo assim um bom relacionamento entre professor-aluno, são também considerados como bons veículos de inclusão para aqueles alunos com diferenças socioeconómicas.
Nem tudo é mau, e a mensagem da autora passa por sublinhar que não é por existirem professores menos bons e não tão competentes, que devemos rotular todas as pessoas com esta profissão.
Este artigo faz referência ao Relatório PISA, ocultando os dados bastante satisfatórios referentes ao desempenho dos professores.
Para além de serem vistos pelos alunos como disponíveis e prestáveis mesmo fora das aulas, reflectindo assim um bom relacionamento entre professor-aluno, são também considerados como bons veículos de inclusão para aqueles alunos com diferenças socioeconómicas.
Nem tudo é mau, e a mensagem da autora passa por sublinhar que não é por existirem professores menos bons e não tão competentes, que devemos rotular todas as pessoas com esta profissão.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Publicidade só para crianças

Não, não pensem que estou a fazer publicidade ao Pingo Doce, mas não resisti em partilhar o que recebi hoje na minha caixa do correio, em papel formato revistinha.
Como é que os educadores, interessados na Educação para o Consumo, competem com publicidade deste género?
Saberão as crianças lidar com esta informação?
Reparei especialmente nas mãos do Pai Natal em grande plano, uma a chamar e outra a dar uma prenda cintilante e grande. A frase também que chocou, pois é dirigida às crianças, como se elas fossem às compras sozinhas e pudessem escolher qualquer prenda ou prendas.
Temos uma sociedade de consumo porque alguém quer vender, por isso resta-nos educar de forma a todos perceberem que "nem tudo o que brilha é ouro", sendo responsaveis e conscientes como consumidores que somos.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Auxiliares de memória
Ontem reparei num anúncio publicitário num dos nossos canais portugueses, sobre auxiliares de memória e de melhoramento da capacidade intelectual de jovens e adultos, cujo nome não irei mencionar.
Qual é o produto em específico, não importa muito, pois há um leque enorme de ofertas deste género.
Chamou-me especial atenção porque o número de anúncios publicitários desse género está a aumentar nesta fase do ano, que coincide com o aumento do número de provas escolares de avaliação. Com esta comparação não pretendo ser rígida, até porque não fiz nenhum estudo sobre esta coincidência, não tendo dados científicos para o provar.
É apenas uma observação, uma reflexão sobre o que se passa com os cérebros de hoje que precisam tanto de estimulantes.
Será que precisam ou é mais um esforço dos media como intermédio de produtores sedentos de clientes e fontes de lucro?
Ou será a escola assim tão exigente, muito mais do que era há alguns anos atrás, que os alunos não acompanham com as suas capacidades naturais?
Como alguém dizia, vale a pena pensar nisto...
Qual é o produto em específico, não importa muito, pois há um leque enorme de ofertas deste género.
Chamou-me especial atenção porque o número de anúncios publicitários desse género está a aumentar nesta fase do ano, que coincide com o aumento do número de provas escolares de avaliação. Com esta comparação não pretendo ser rígida, até porque não fiz nenhum estudo sobre esta coincidência, não tendo dados científicos para o provar.
É apenas uma observação, uma reflexão sobre o que se passa com os cérebros de hoje que precisam tanto de estimulantes.
Será que precisam ou é mais um esforço dos media como intermédio de produtores sedentos de clientes e fontes de lucro?
Ou será a escola assim tão exigente, muito mais do que era há alguns anos atrás, que os alunos não acompanham com as suas capacidades naturais?
Como alguém dizia, vale a pena pensar nisto...
domingo, 10 de outubro de 2010
Finalidade genuína da Educação
Com este documentário da SIC, da Grande Reportagem do dia 10 de Outubro de 2010, com o título "O árido Norte do Quénia", podemos perceber a genuína finalidade da Educação, qualquer que seja o contexto e perspectivas de futuro.
O voluntário português do documentário toca num aspecto interessante: a dedicação dos alunos em Portugal, e a sua posição face à escola.
Se, como alunos, pensassemos de outra forma, talvez o desempenho seria outro, bem como o nosso olhar para o futuro.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Literacia e a Educação
Sendo a Literacia um termo muito abrangente e com bastantes definições propostas por diversos autores, que o fazem num determinado contexto (histórico, cultural, social, económico), preocupa-me a sua relação com a Educação.
Esta relação levanta uma problemática com vista à clarificação do que deveremos “investir” como literacia. Há várias teorias sobre este tema, mas um dos aspectos comuns é que podemos ter várias literacias. Assim, o problema parece estar parcialmente resolvido, pois basta adequar ao que queremos falar.
Neste caso, aproveito os termos “Literacia da Internet” e “Literacia de Informação”. Estes sim, penso que sejam preocupantes, e ainda bem que já pensaram neles.
Será que estamos realmente preparados para ensinar às crianças e jovens a ser literatos de Internet e Informação?
Pergunto isto porque pouco sabemos (e eu nem sou das gerações mais afastadas da era tecnológica) sobre as oportunidades e os perigos que esta dimensão tem para quem a quer explorar.
As oportunidades são bastantes, mas…
Quem como pais não se interrogou se as redes sociais são uma boa opção de socialização dos jovens?
Quem como professor não se questionou sobre a credibilidade da informação retirada pelos alunos num qualquer site?
Até mesmo este blogue é posto em causa, pois é um blogue de opinião e não uma fonte validada por nenhuma entidade.
Com este espaço, tento criar (uma das componentes da Literacia da Internet), ser produtor activo, receptor de conteúdos se alguém participar nas discussões, melhorando assim a interactividade e a participação online.
Mas esta tentativa torna-me mais literata da Internet e/ou da Informação?
Baseado em Nelson Vieira, “As Literacias e o uso responsável da Internet”
Esta relação levanta uma problemática com vista à clarificação do que deveremos “investir” como literacia. Há várias teorias sobre este tema, mas um dos aspectos comuns é que podemos ter várias literacias. Assim, o problema parece estar parcialmente resolvido, pois basta adequar ao que queremos falar.
Neste caso, aproveito os termos “Literacia da Internet” e “Literacia de Informação”. Estes sim, penso que sejam preocupantes, e ainda bem que já pensaram neles.
Será que estamos realmente preparados para ensinar às crianças e jovens a ser literatos de Internet e Informação?
Pergunto isto porque pouco sabemos (e eu nem sou das gerações mais afastadas da era tecnológica) sobre as oportunidades e os perigos que esta dimensão tem para quem a quer explorar.
As oportunidades são bastantes, mas…
Quem como pais não se interrogou se as redes sociais são uma boa opção de socialização dos jovens?
Quem como professor não se questionou sobre a credibilidade da informação retirada pelos alunos num qualquer site?
Até mesmo este blogue é posto em causa, pois é um blogue de opinião e não uma fonte validada por nenhuma entidade.
Com este espaço, tento criar (uma das componentes da Literacia da Internet), ser produtor activo, receptor de conteúdos se alguém participar nas discussões, melhorando assim a interactividade e a participação online.
Mas esta tentativa torna-me mais literata da Internet e/ou da Informação?
Baseado em Nelson Vieira, “As Literacias e o uso responsável da Internet”
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
“Obscurantista e tirânico”
Estava eu nas minhas leituras quando me deparei com esta expressão, “obscurantista e tirânico”. É utilizada para se referir aos períodos em que o povo sofreu opressão por parte do estado.
O mais curioso é que esta expressão é utilizada para realçar o efeito positivo que o salazarismo teve na alfabetização e na escolarização.
Os objectivos eram bem claros e pensados a nível económico e político, esquecendo o bem-estar e desenvolvimento pessoal de cada cidadão português. Queria-se uma sociedade industrial e para isso foram criadas mais escolas, crescendo a preocupação com a alfabetização da população fabril, unicamente. Precisávamos de mão-de-obra qualificada para igualar aos outros países da Europa.
Esta preocupação gerou uma comunidade mais letrada, quer aceitemos ou não. Gerou mais escolas, mesmo com as metodologias menos adequadas. As mudanças existiram, mesmo que impostas. E os frutos só foram colhidos muitos anos depois.
Então, eu pergunto, qual é a função do cidadão comum quando quem está no poder toma decisões que alteram realmente a nossa forma de viver e ver o futuro, inseridos nesta aldeia global?
Se calhar não faria mal se olhássemos um pouco para a nossa História, enquanto portugueses, para perceber certos fenómenos de hoje. Pensar na crise, qualquer que seja, com uma perspectiva positiva, inovadora e construtiva.
O mais curioso é que esta expressão é utilizada para realçar o efeito positivo que o salazarismo teve na alfabetização e na escolarização.
Os objectivos eram bem claros e pensados a nível económico e político, esquecendo o bem-estar e desenvolvimento pessoal de cada cidadão português. Queria-se uma sociedade industrial e para isso foram criadas mais escolas, crescendo a preocupação com a alfabetização da população fabril, unicamente. Precisávamos de mão-de-obra qualificada para igualar aos outros países da Europa.
Esta preocupação gerou uma comunidade mais letrada, quer aceitemos ou não. Gerou mais escolas, mesmo com as metodologias menos adequadas. As mudanças existiram, mesmo que impostas. E os frutos só foram colhidos muitos anos depois.
Então, eu pergunto, qual é a função do cidadão comum quando quem está no poder toma decisões que alteram realmente a nossa forma de viver e ver o futuro, inseridos nesta aldeia global?
Se calhar não faria mal se olhássemos um pouco para a nossa História, enquanto portugueses, para perceber certos fenómenos de hoje. Pensar na crise, qualquer que seja, com uma perspectiva positiva, inovadora e construtiva.
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