sexta-feira, 13 de março de 2020

Tanto tempo, e agora?


Já está decido, crianças e jovens em casa.
Sendo isso um dado adquirido, resta agora não entrar em desespero e pensar em estratégias não muito cansativas mentalmente para que este mês passe da melhor forma.
Quem me conhece sabe que sou fã de planeamento, principalmente quando há TANTO TEMPO LIVRE.
O tempo em família é precioso e tudo o que queremos nesta altura é não ter discussões nem entrar em confronto uns com os outros. Principalmente nos casos em que:
- há crianças muito ativas em casa;
- há pais com trabalho a fazer, mesmo tendo a companhia dos mais novos;
- há crianças e adolescentes que se "colam" aos aparelhos e não fazem mais nada sem ser comer e dormir;
- há 5 refeições diárias para todos para preparar.

Ora, o que proponho, nesta fase inicial, é uma pequena atividade em família:
FAZER UMA CHUVA DE IDEIAS E CALENDÁRIO
Agora que têm realmente tempo, sentem-se todos juntos e:

1º Perguntem-se uns aos outros o seguinte (a isto se chama brainstorming):
O que gostas mais de fazer?
O que devemos fazer todos os dias?
O que gostas mais de comer?
O que devemos comer durante os dias?

2º A pessoa, criança ou adulto, que sabe escrever escreve em diversos papéis as ideias que surgiram.

3º Desenhar um calendário a gosto. Pode ser diário, semanal ou mensal, conforme a idade e da paciência dos intervenientes.

4º Distribuir pelo calendário as atividades e ementa, tendo em conta que as atividades mais agitadas devem ficar para a parte da manhã e as mais calmas para a parte da tarde.
Para saber quais são as mais agitadas e as mais calmas podem pensar no tom de voz que cada uma requer. Ou seja, por exemplo, caminhar é uma atividade de movimento mas não andamos aos berros, pois não? Então, caminhar é uma boa atividade para fazer a seguir ao almoço ou ao final da tarde. Jogos (não os eletrónicos), podem ser ativos se forem dinâmicos, é bom para a parte da manhã. Estudar, dependendo das capacidades de cada um, pode ser mais agitado ou calmo. O desafio é ir percebendo o que é mais adequado a cada um.

5º Decorar o calendário e afixar. Deve ser visto como algo bom e não uma imposição obrigatória e rigorosa.

6º Deixar os papéis visíveis num pote transparente ou algo do género, com mais papéis em branco para que se aumentem as ideias à medida que os dias passam.

7º Mudar o calendário quando tiver que ser. Não deve ser visto como algo inflexível. É apenas para que todos tenham uma linha orientadora e não ser gerado o caos. Lembrem-se que os alunos têm sempre um horário a cumprir de segunda a sexta-feira e é a isso que estão habituados. Os adultos têm o seu tempo organizado e ter um menor sempre, sempre consigo pode ser esmagador.

Aqui em casa surgiu logo a questão:
"Se não acabarmos algumas coisas hoje podemos acabar amanhã?"
Claro que sim! A ideia é ir mantendo a capacidade mental em alta para quando retomarmos as rotinas escolares e laborais esteja tudo a funcionar bem.
Demoramos pouco mais de uma hora a realizar a tarefa e o calendário ficou com a decoração incompleta. Não há problema. Retomamos depois.
Vão surpreender-se com as ideias que todos temos, ADULTOS, ADOLESCENTES E CRIANÇAS, com toda a certeza. Lembrem-se que temos a Internet e as ideias online são muitas: receitas, trabalhos manuais, ginástica em casa, jardinagem caseira/doméstica, filmes, aprendizagem de uma língua, ...

A partir de hoje vou partilhando ideias do que já fizemos no Espaço Crescer Centro de Estudos e pode ser adaptado em casa. Mas o melhor mesmo são as ideias de cada um!

Boas ideias!

quinta-feira, 12 de março de 2020

Privados sem altas chefias


Na sequência do que se tem passado pelo mundo e agora com muita força em Portugal, no Espaço Crescer Centro de Estudos as atividades vão continuando com os serviços mínimos.

O que é isto de serviços mínimos?
- Os grupos de crianças são pequenos, menos de 10;
- Os professores só vão se for estritamente necessário;
- As explicações e apoio em trabalhos escolares e académicos são garantidos a distânica, online.

Os serviços mínimos que são garantidos presencialmente têm como base os seguintes comportamentos:
- Quem esteve em contacto com pessoas com Covid-19 positivo não participa;
- Todos os participantes, professores e alunos, devem estar equipados com máscara e desinfetar as mãos, utilizando apenas o seu próprio material;
- Todas as superfícies são desinfetadas ao longo do dia.

Quando um dos intervenientes, quer seja professores, pais ou alunos, não se sentir confiante em estar em contacto com outros, aconselhamos a não ir pois põe em causa a estabilidade das sessões.
Estas diretrizes são as que aconselhamos a todos os locais privados que não dependem de decisões de governo e altas chefias, tendo em conta todas as informações que circulam sobre o Covid-19.
Sugerimos também que, quem lida com os mais novos, aproveite para explicar tudo sobre o que se passa, sem alarmismos, bem como para experenciar a utilização de máscaras e antissépticos, numa perspetiva de aprendizagem e precaução.
Nesta fase, tendo em conta a pouca gravidade da doença e a grande gravidade da sua propagação, pensamos ser o melhor a fazer.
E brincadeiras na rua, sim! Continuamos a ser a favor das mesmas mas num ambiente restrito, em jardins privados, por exemplo. Fora isso, não é boa ideia.
Também é uma boa altura, já que os mais novos emitam tudo o que os seus modelos fazem (pais e outros adultos), de ter uma postura calma e tranquila, de consciência comunitária e não apenas individual. Ou seja:
- deixar os filhos com avós é mais perigoso pela propagação a público mais sensível;
- ir às compras e encher o carro de compras mais do que é suposto é desperdício de dinheiro, recursos e esforço;
- passear em locais públicos sem as devidas precauções é arriscado para todos;
- encontrar soluções em vez de criticar apenas já que, nesta fase, depende de todos.

Esta é mais uma fase em que o povo tem que saber o que fazer e decidir ao seu nível, já que o governo alega a democracia e a autonomia de escolas e municipios deixando assim ele de decidir.

Boas decisões!

quarta-feira, 11 de março de 2020

Carnaval nas escolas


Desde sempre que conhecemos o Carnaval das crianças como um momento de alegria, diversão e muita folia, onde as crianças escolhem as suas máscaras consoante a sua preferência: super-herói, profissão, princesa, ...
Este ano gostaria de destacar o carnaval trapalhão das escolas que, na tentativa de aproveitar mais este momento para ser lúdico e pedagógico, envolvem toda a comunidade escolar e aproveitam para trabalhar temas específicos.
Esta fotografia é do carro alegórico da Escola Básica de Espargo, totalmente da autoria das famílias e alunos.
Os vizinhos e conhecidos também ajudaram, emprestando a carrinha, dando os cartões, emprestando e gerindo o sistema de som. A Associação de Pais envolveu-se fornecendo tintas.
As professoras e educadoras organizaram os alunos, escolheram as músicas e dançaram desfilando.
Tudo isto sem sair da rua da escola.
Vale a pena tanto esforço para 30 minutos?
Vale, e a prova está nos textos que após o evento os professores dos mais velhos pedem para fazer, alegando estes que foi divertido, que tinha muitas frutas e legumes que são saudáveis, que os pais fizeram alguns, ...
Enfim, há um verdadeiro envolvimento e sentido de pertença a algo maior do que a sala de aula e do que a família nuclear.
É viver em sociedade. Se eles não forem levados a viver isso agora, no pré-escolar e 1º ciclo, como saberão viver depois?
Como iriam adquirir as competências sociais tão necessárias?

Bons envolvimentos!

sexta-feira, 6 de março de 2020

Choque de gerações


Quando se fala em choque, pensamos que algo de mal aconteceu.
Mas nem sempre é verdade.
Aliás, quando há um choque normalmente há uma mudança e, como o ser humano está preparado para sobreviver, dê por onde der, normalmente a mudança é para melhor.
No caso desta fotografia, reflete um claro choque de gerações pois, associada a ela está a pergunta inocente:
Porque é que um telefone tem um relógio tão grande?
Hum... Tentar explicar toda a dinâmica que implicava, antigamente, telefonar para alguém, é uma verdadeira comédia, mas um grande desafio.
Noutros casos, como as fotografias que refletem situações menos boas, como a fome e a guerra, as más condições das salas e das habitações, e por aí fora... De outros tempos e dos tempos de hoje... Nestes casos, o choque em si é uma má sensação, mas o que vem depois desse choque é bom, só pode ser.
É quando as pessoas se apercebem de outras realidades e pensam em mudar o seu comportamento ou pensam em iniciativas para que ajudem a mudar estas situações menos boas.
O mesmo acontece com o choque de gerações.
Lidar com as crianças e jovens de hoje não é necessariamente um choque que dá em más relações. Tentar levar tudo com um certo humor, com proatividade, com a inocência de quem está a ouvir e a ver aquilo pela primeira vez, assumidamente, é um grande passo para todos e todos saem a ganhar.
Não somos menos adultos por tentarmos falar a liguagem dos mais novos, nem somos menos maduros por fazer com que eles nos percebam e que nós os percebamos a eles. Ou, ainda, assumir que não percebemos e está tudo bem na mesma.
O deixar rolar não é sinónimo de desleixo, desde que continuemos atentos às verdadeiras "coisas" más e não àquilo que pensamos que deveria ser e não é.

Bons choques!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Planeta Terra em obras


Cada vez que ligo a televisão ouço falar do mais recente vírus que neste momento assusta a população em geral, mesmo que nem todos o verbalizem.
A governante chinesa referiu hoje que a China está muito bem preparada para o tal vírus e que a população sabe lidar com mais um surto pois muitos já aconteceram.
Ora... A mim parece-me que está aqui qualquer coisa de errado.
Ou é falta de esclarecimento minha ou os media estão a divulgar apenas aquilo que querem...
Nesta era da informação em massa, não podemos alegar desconhecimento de nada pois está tudo e mais alguma coisa disponível apenas através de um clic.
Alguns, talvez os mais velhos, optam por ignorar para não viverem a medo. Já basta as mazelas que a vida real lhes foi deixando no corpo e na mente.
Outros, talvez os mais novos, ignoram totalmente a gravidade da situação, ficando na inocência.
E outros optam por falar, falar, ficar com pé atrás, reagir, debater...
Para mim é mais um assunto à escala mundial que mais de metade da população mundial não sabe na realidade do que se trata.
A China montou um hospital em tempo recorde...
A governante da China gabou imenso a elevada competência dos seus profissionais de saúde...
Já se fala na criação mais rápida de sempre de uma vacina que irá dar resposta a este vírus...
A responsável pela economia internacional já veio pedir para fazerem o estudo do impacto financeiro...
Entretanto, milhares de pessoas estão infetadas, centenas morreram, centenas levaram um susto de morte e milhares aguardam pacientemente (ou não) por não ter qualquer sintoma.

Vamos lá agora explicar às crianças porque é importante ver os noticiários hoje...

Hum...

Tenho que ponderar bem....

Há dias que me apetece dizer "Desliga isso pois mais de metade é mentira, está exageradamente contado, foi criado de propósio para voltar a pôr aquele país no mapa, ou outra coisa qualquer muito menos importante do que as conversas que podemos ter com a televisão desligada."

Peço desculpa, mas este dia de sol levou-me a isto.

Boas reflexões!

domingo, 26 de janeiro de 2020

Autoconfiança ou egocentrismo


Autoconfiança, uma característica cada vez mais vista como uma excelente qualidade para se estar bem e viver da melhor forma.
O problema é quando essa autoconfiança é confundida com egocentrismo.
São dois conceitos, duas formas de estar bem diferentes mas muito próximas e fáceis de confundir.
Mesmo tendo nós a certeza do que cada uma quer dizer.
Porquê?
Vamos falar de cada uma e depois misturá-las.
Autoconfiança é entendida como confiança em si próprio, no que sabe fazer, no que é capaz de fazer, perante as situações em que se coloca ou que lhe são propostas. É ter pensamento positivo sobre aquilo que é capaz de fazer.
Típico "Eu consigo!"
Egocentrismo é um tipo de comportamento em que a pessoa se volta para si própria e apenas para seu próprio benefício como primeiro pensamento. Não é que não queira saber dos outros, é apenas indiferente a eles quando precisa de escolher o melhor para si.
Então, como se cruzam?
Quando as nossas decisões passam por agarrar as rédeas de uma situação em que envolve mais do que uma pessoa e, tendo confiança na sua própria capacidade de decisão, decide e leva tudo à frente pois é capaz disso. Ora, chegamos então ao egocentrismo...
No final, quando todos tiveram que se sujeitar e tentar ficar felizes por isso, o egocentrista está convencido de que fez o melhor, pois tem essa autoconfiança, nem tendo noção que a decisão foi mais voltada para si e para a sua perspetiva do que para a perspetiva dos outros ou em conjunto com todos.
Ser autoconfiante pode ser um exercício difícil pois não nos podemos esquecer que estamos sempre ligados a alguém, os nossos atos têm sempre consequências para outros. Temos, assim, medo de ferir ou fazer mal a alguém ou a nós próprios.
Ser egocentrista é bastante mais fácil pois, na tentativa de pensar em mim mesmo como uma pessoa autoconfiante, há tendência para ignorar o que está à volta e centrar-me em mim mesmo apenas.
Mas ser egocentrista também pode ser difícil de alcançar. Quando a autoconfiança está em baixo, não há lugar a egocentrismo...

Um equilíbrio seria o ideal... Ou ter estas competências guardadas em algum compartimento do cérebro para utilizar quando preciso.

Boas autoconfianças!

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Copo vazio ou copo cheio de nada?

Ilustrado por Natacha

Há dias que parece que não temos nada: certezas, estabilidade, oportunidades, pessoas queridas, alguém que nos dê o devido valor, alguém que se importe por nós.

Outros dias há que temos a sensação que temos tudo e o mundo é nosso: todos querem saber como estamos, muitos telefonemas a pedir-nos ajuda, muitos e mails com trabalho, várias oportunidades a bater à porta.

Quando há a mudança de turno, dos dias em que parece que não temos nada para os dias em que tudo é nosso, nem sinto a transição. Apenas sinto a aceleração, a ansiedade a crescer, a energia à flor da pele.

Quando há mudança de turno novamente, dos dias em que tudo é nosso para os dias em que parece que não temos nada, sinto, muito lentamente, a vida a fugir pelas mãos, tudo o que parecia ter conquistado a fugir pelo ar como vapor a subir sabe-se lá para onde. 

Nestes dias de mudança do turno apressado para o turno lento, repenso se quero ter a sensação de copo cheio do que a seguir parece nada. 
Ou seja, poderá existir uma fórmula resolvente (como eu adoro a matemática...) para estarmos sempre bem e apenas isso?
Quando me refiro a estar bem não é estagnado, de todo!
Pelo contrário!
É ter espaço de tempo e energia suficiente para fazer o que é necessário e continuar a fazê-lo sempre, com menos pressa e urgência, com mais equilíbrio de esforço contínuo.

De que adianta estar a 1000 se depois entramos em depressão quando há fases de acalmia extrema?

Venham as depressões e outras doenças mentais afins...

O velho provérbio popular "Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar." parece-me apropriado para exemplificar este pensamento.
Mais vale ter o copo quase vazio mas sempre com algo pertinente e eficaz com espaço para mais oportunidades, do que ter o copo cheio de coisas que são momentâneas e até deixam marcas de vazio e fracassos.

Boas fases!