quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Gentes


Uma criança descalça na árvore.
Podia ser uma ilustração de um livro infantil mas é a realidade dos dias de hoje na cidade de Lichinga.
Estará triste por estar sozinha?
Parece que apenas estava sentada, a passar o seu tempo da melhor forma pois os seus amigos logo aparecem para se juntar ao momento fotográfico.

Ali ficam sem dizer uma palavra sequer, com aqueles olhares misteriosos que encerram em si histórias só deles.
Afinal também é de outros, pois os pares de crianças continuam a aparecer.

A mostrar o seu catecismo e as suas habilidades de trepar árvores, assim se apresentam elas sem dizer palavras.
Mas chegam cada vez mais...

Se ali ficassemos teriamos feito uma bela sequência de fotografias com cada vez mais crianças no silêncio profundo, parecendo querer falar com o olhar.
Mas nós não percebemos... Apenas tiramos fotografias e sorrimos discretamente acompanhando-os como melhor sabemos.

Assim era em Lichinga. As crianças ou estavam na escola ou estavam na rua. Simplesmente estavam. Esperavam pela hora da escola com os seus uniformes.

Passavam pela minha janela do quarto apenas para gritar "Bom dia Titia Sónia!"
Brincavam com brinquedos construídos por si sobre aquilo que conhecem.


Assim era em Lichinga em 2011.
Será que ainda é?

Partilho o álbum "Gentes" com fotografias de crianças que agora têm mais 8 anos.
São agora adultos e as meninas já serão mães, com 18 anos, pois é assim a vida.

Por cá, a Titia continua a:
- Apresentar o livro onde é solicitado - sessões adaptadas ao público (infantil, adultos em vias de ir para missão, alunos em escolas, séniores e outros)
- Vender o livro para qualquer ponto do planeta (10€ + portes de envio)
- Responder a qualquer questão através do email abrantes.sonia@gmail.com

Boas leituras e viagens!

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Dias que deixam saudades


Sim, há dias que deixam saudades por serem dias em que acontecem situações únicas que sabemos que nunca mais voltaremos a viver.
Ir 5 meses para Lichinga foram muitos desses dias. TODOS esses dias.
Deixam saudades pois sou fã de coisas novas, de descobertas, do desconhecido.
Este fanatismo traz-me dissabores constantes, hoje.
Lá não... Era tudo tão fácil e simples...
Naqueles dias ninguém me chamava de louca por arriscar ou fazer.
Faz-se e pronto.
Se calhar nasci no local errado à hora errada...
Há dias assim, que deixam saudades.
Mas a realidade não deixa de existir e de ser vivida só porque temos saudades de outras alturas melhores ou diferentes.
Ainda hoje me perguntaram porque não segui uma carreira mais estável, que tive mesmo à minha frente.
Porque não é o meu EU. Realização para mim não é ter 100€ em vez de 5€. É estar consciente que a minha mente está feliz, como se vivesse alguém dentro de mim que eu preciso deixar feliz.
Serei esquizofrénica?
É mais fácil quando o nosso agregado somos apenas nós mesmos. Quando temos descendentes a coisa complica, mas mesmo assim faz-se.
Ou serei eu egoísta?
Estabilidade é sentir-me bem com o que faço, com quem faço, onde faço e como o faço, acreditando que é isso o melhor para mim, para quem me rodeia e para o mundo, a longo prazo.
Se quero salvar o mundo?
Sim, claro! Não sei bem de quê ainda mas... quem não quer super-herói?
Acredito no que Baden Powell escreveu como mensagem: "Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste." E eu acrescento: pois só assim há razão de existir.

Eu fui lá, ao extremo de mim e gostei: ao Lago Niassa.

Bons extremos!


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Último dia de aulas

férias escolares

Hoje é o último dia aulas, ou de escola, para os mais novos, pré-escolar e 1º ciclo.
Chegou mais uma oportunidade para fazer piqueniques, dar passeios, brincar muito, sem estar preocupado com os horários de aulas e com os trabalhos de casa.
Esta pausa faz bem a qualquer um, principalmente às crianças que precisam de espaço mental para desenvolver a sua identidade, a sua própria maneira de pensar e o seu SER.
Se não tivessem esse tempo, seriam apenas pessoas formatadas sem qualquer espírito de iniciativa e resolução de problemas do quotidiano.

O desafio agora é para os pais:

Como ocupar todo este tempo não letivo?

O que eu sugiro são umas férias bem passadas em boa companhia.
Quer seja em família, com amigos ou um novo sítio e novos amigos.
O que interessa é perceber que o último dia de aulas simboliza para os mais novos, pré-escolar e 1º ciclo, uma quebra na sua rotina tão apreciada e querida, que os ajuda a perceber regras e objetivos a cumprir.
O erro maior das férias é pensar que esta pausa para descanso é também uma pausa de regras e objetivos...
Isso é uma escolha que traz consequências de maior para o próximo ano letivo e não traz descanso.

Mas, eles deviam poder dormir até às horas que querem nas férias.

Sim, deviam. Aproveitar para colocar o sono em dia é uma boa decisão. Mas tal não implica que possam ficar acordados até às 2h da manhã e depois compensam.
O ditado de deitar cedo e cedo erguer não perde validade por serem férias.
Há até quem aproveite as férias para se deitar mais cedo e acordar mais cedo para fazer viagens, passeios, desportos e outras atividades que noutra altura não conseguem.

Estudar nas férias? Coitadinhos, precisam descansar.

Sim, precisam descansar, mas descobrir faz parte da natureza das crianças e nas férias podem-se proporcionar momentos de aprendizagem tão bons ou melhores do que noutras alturas. Mesmo que nos horários dos programas de férias apareça "Estudar nas férias", não devemos confundir "Estudar" com tortura, pois não estaremos a passar a mensagem correta aos mais novos. Estudar aqui é gostar de saber e descobrir, aprender.

E mais havia a dizer mas fico por aqui pois o último dia de aulas é isso mesmo: parar e virar a folha para um próximo capítulo de novas descobertas.

Boas descobertas!


domingo, 16 de junho de 2019

Férias escolares, novas aventuras

férias escolares de verão

Neste verão o Espaço Crescer Centro de Estudos uniu-se ao Arada Atlético Clube para organizar e dinamizar as férias escolares de verão, de 24 de junho a 13 de setembro, sem paragens.

Esta união traz consigo novas aventuras para muitos:
- os mais novos dos 4 aos 14 anos de idade, que podem inscrever-se nas atividades que pretenderem: piscina, praia, desporto, workshops, ... - veja o horário detalhado
- maiores de 15 anos, para quem quer experimentar um verão diferente como monitor de atividades de verão - veja o anúncio AQUI
- monitores, que podem ocupar os seus horários vazios trabalhando connosco - veja o anúncio AQUI

As novas aventuras são para todos, sempre com aposta no melhor para todos.

Bom verão!




quarta-feira, 5 de junho de 2019

Machamba, o cantinho


Em 2011 tive a sorte de ver esta placa pessoalmente.
Os anos passam e não há um desses anos em que não me pergunte "O que será feito deles?".
Após quase 6 meses por terras do Niassa, o impacto que a Irmã Ferreira teve naquela zona sempre me deixou perplexa.
O seu poder e força, apesar de baixinha e quase sempre sozinha, levam-me a admirá-la como pessoa que deixou a sua pegada nesta zona do globo.
O que fez a Irmã Ferreira? Deu vida ao projeto Cantinho da Solidariedade que consistiu em dar resposta ao pedido do Bispo sobre os mendigos da zona.
A Irmã pediu a todos que aparecessem certo dia de manhã, distribuiu ferramentas para cavar e lavrar e lá seguiram todos para este terreno na periferia de Lichinga.
Desde esse dia, foram muitas as famílias, pais, mães e seu filhos às costas, que saíram das ruas e passavam agora o dia a trabalhar na terra e com os animais.
Passaram a fazer as refeições mínimas por dia com recurso àquilo que colhiam.
Como uma agricultura bem gerida, começaram até a vender para fora, a importar pintainhos, a exportar outros alimentos, a vender no mercado na sua barraca permanente.

Após 8 anos, o que será deles? Após algus anos da morte da Irmã Ferreira, o que será deste projeto?
Pode ser que um dia volte...
Até lá, ficam as memórias, algumas registadas com fotografias que partilho no álbum Machamba.
Fica também todo o relato no livro Titia amanhã não vou vir (que se pode ver à direita).

A Titia continua a:
- Apresentar o livro onde é solicitado - sessões adaptadas ao público (infantil, adultos em vias de ir para missão, alunos em escolas, séniores e outros)
- Vender o livro para qualquer ponto do planeta (10€+portes de envio)
- Responder a qualquer questão através do email abrantes.sonia@gmail.com

Bons cantinhos!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Falar bonito, ler e escrever bem

terapia da fala

O diálogo tem como armas a língua falada e a expressividade que se coloca à mensagem.
Mesmo não sabendo ler nem escrever, conseguimos falar, argumentar, expressar emoções e opiniões e isso leva-nos mais além em todos os domínios da nossa vida.

Imaginemos agora que voltamos ao 1º ano de escolaridade, quando as letras que até então eram desenhos passam a fazer sentido juntas: aprendemos a ler e a escrever.
As palavras juntas passam a existir como essenciais para expressar ideias.
Ora, se até então falamos bem e bonito, com cuidado na pronúncia das palavras e com o vocabulário rico dando os nomes reais às coisas do quotidiano, esta transição para o mundo da escrita vai ser mais fácil, vai fazer muito mais sentido.
Não são só os adultos que precisam de gostar do que fazem, as crianças também.
Se não tiverem vocabulário, como legendar esta simples imagem, por exemplo?


Será uma "mala"? Não...
É uma mochila.
Se todos os dias as crianças, quando estão a ir para a escola ouvirem "Põe a mochila às costas." em vez de "Pega na mala." a transição para a aprendizagem da escrita é mais simples.
Aprender o som "CH" parece fácil, aprender a escrever o som "CH" já parece mais difícil. Imaginem então se optarmos não falar com esses sons difíceis, como é que os mais novos tiram boas notas na escola? 
Desengane-se quem pensa que é retirando os tablets e outros aparelhos.

As melhores classificações em testes só aparecem se existir esforço de todos nesse sentido.
Para a Família mais próxima começa logo ao nascimento e nunca mais para, até ao infinito e mais além.
Para os Educadores e Professores começa e termina no tempo de aulas. Só.
Para os Terapeutas da Fala começa quando a Família, Educadores e Professores detetam sinais de alerta e se dirigem até ao terapeuta. Estes sinais podem ser:
- Não sorrir nem reagir a sons
- Ter 2 anos e não falar
- Ter dificuldades a ler e a escrever
- Gaguejar
- Ter dificuldade em falar
- Não conseguir dizer alguns sons
- Falar pelo nariz
- Sentir a voz rouca e cansada
- Usar a voz em demasia no dia a dia
- Ter dificuldade em mastigar ou engolir alimentos
- Engasgar-se com frequência
- Ter dificuldade em comunicar com os outros

É isto que fazemos em consultas de Terapia da Fala no Espaço Crescer Centro de Estudos.
O trabalho do Terapeuta da Fala termina quando já não há sinais de alerta a trabalhar.

Não deixemos para depois trabalhar para que as classificações sejam as melhores possíveis.
O crescimento começa quando se é pequenino.

Boas falas!


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Estudar nas férias


Nesta fase do ano, final do ano letivo, onde parece que está tudo a terminar mas ainda há tanto que fazer, no Espaço Crescer Centro de Estudos dividimos a nossa atenção em dois focos:

(1) Terminar o presente ano escolar em grande, com o máximo sucesso possível 

(2) Idealizar um verão divertido, recuperador de energias e a trabalhar de forma tranquila para a continuidade do próximo ano letivo

É isso que garantimos e é isso que desejamos para qualquer pessoa.

Parar totalmente é bom, é certo. Mas importa saber o que é parar.
Não é parar deixar de fazer atividades de escrita e cálculo e passar a jogar computador.
Se o cérebro continua a ser estimulado com tudo o que um jogo de pequeno ecrã tem para oferecer, não estamos a deixar que descanse.

Parar é ir à praia, passar manhãs ou tardes a fazer exercício físico de qualquer género, a brincar ao que apetecer, a conviver com os amigos, a dar mergulhos nas piscinas, mesmo que sejam daquelas caseirinhas.
Parar é olhar para um livro como um passatempo e não como uma obrigação.
É pegar nesse livro e lê-lo de forma divertida, pois foi esse o seu objetivo de existir.
É olhar para os números como um desafio que dá gozo resolver, pois é para isso que a matemática existe.
É descobrir tudo o que há para descobrir no mundo marinho, na nossa história e na história do mundo, pois foi para isso que se fizeram os registos e os estudos superiores, para serem conhecidos e vividos vezes e vezes sem conta.
Parar no verão é crescer sem complicações nem obrigações, sem nunca esquecer que somos seres humanos não autómatos que apenas mexemos os dedos e os olhos.

Se criarmos momentos como Estudar nas Férias, deixamos que o descanso realmente aconteça e garantimos que o crescimento enquanto pessoa continue de forma saudável.

Bons descansos!