sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Orelhas de burro


Mas afinal, o que tinham de mal as orelhas de burro utilizadas há muitos anos atrás, quando os alunos menos dotados de inteligência prática demonstravam dificuldades escolares?
Sim... É bom lembrar que alguns adultos de hoje viveram a realidade de utilizar ou ver utilizar orelhas de burro em público, depois de não conseguirem atingir os objetivos num teste.
Hoje seria crueldade, quase mais do que dar as palmadinhas...
Se alguém colocasse orelhas de burro na cabeça, rapidamente apareceria alguém com um aparelho para tirar uma fotografia e colocar nas redes sociais.
Mais grave ainda... Essa mesma fotografia seria viral, ou seja, teria o maior número de visualizações nessa semana. Relembro que quem tem acesso legal à informação na Internet são os adultos, apenas. Os jovens e crianças só o fazem com autorização dos pais/encarregados de educação. Ou será que estou errada?!?! Ou induzida em erro?!?!
A verdade é que as crianças, hoje como ontem ou há alguns anos atrás, acreditam no que os adultos lhes dizem.... Mesmo parecendo que não...
Alguém concluir por nós que somos burros faz-nos acreditar que somos mesmo...
Ficamos com esse rótulo e acabamos por aceitar, vivendo a vida com as derrotas como merecidas e até normais, expectáveis.
Agora venha alguém convencer-me do contrário. agora que já me mentalizei que sou burro...
Até pediria desculpa pela utilização do termo "burro", mas não peço... Não peço pois ouço-o com frequência como se fosse pouco significante.
E, sinceramente, revolta-me imenso...
As palavras são para ser todas utilizadas, conforme o contexto.
As entoações que damos às mesmas palavras, têm impacto diferente, consoante o contexto.
Não é preciso ter aulas de teatro para saber isso. Ou é?
Ora vejam, se dissermos:
- És burro ou quê? Vais escrever "não estudo, por isso não tenho boas notas" dez vezes, para ver se deixas de ser burro.
Será diferente de:
- Não estás a conseguir tirar notas melhores porquê? Sentes alguma dificuldade? Qual achas que será o problema? Podes ter este e estes... E enumerar os vários problemas que poderão ser.
Gostava de ver alguns adultos a utilizar orelhas de burro cada vez que fazem asneira... Isso é que era!
Gostava de ver adultos a escreverem 10 vezes quando dizem ou fazem o que não era esperado.
Gostava também de ver os adultos a ouvirem outra pessoa a repreendê-los como os próprios adultos repreendem as crianças e adolescentes.
Compreendo que há dias que não é fácil, nada fácil... E escapam-nos palavras que ficam gravadas nas pequenas cabecinhas, pois eles acreditam piamente em nós...
As orelhas de burro foram banidas pois começamos a pensar em crianças como pessoas com vontade própria, com consciência, com poder de decisão sobre os seus atos, com mentalidade adaptada a cada faixa etária e não como pequenos bonecos que devem fazer tudo como máquinas que aprendem a viver.
Não nos queixemos, portanto, se as nossas crianças crescem aparentemente bem se as tratarmos como coisas sem raciocínio lógico desde que somos formados seres, mesmo no útero.
Fazer o esforço, por elas, de não sermos loucos e utilizarmos uma comunicação assertiva e adequada à sua idade, leva-nos a vê-las crescer de forma ativa e conscientes de si, preparadas para não ficarem apenas a ver os anos passarem e serem pessoas ativas e não meros espetadores do que a sociedade vai gerando, com mais ou menos dificuldade.

Conversar com os mais pequenos sobre os assuntos do dia a dia e do mundo pode surpreender-nos... 

Boas conversas!




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Hoje é dia...

Dias chuvosos e dias de pausa combinam bem com... ver montras!
Sem qualquer objetivo de fazer publicidade à Throttleman, partilho aqui uma fotografia da sua montra escolhida para esta altura do ano.

Engraçado e estranho amor: um morcego na sua posição preferida e uma coruja com a sua companhia preferida.

Ao ver esta coruja literalmente de patinhas para o ar, na tentativa de corresponder às necessidades daquele que escolheu para seu companheiro, lembrei-me de imediato do dia que festejamos hoje: Dia dos Namorados.

Considerando Namorados todos aqueles a quem amamos, se olharmos bem, temos muito com quem festejar: filhos, pais, maridos e mulheres, avós, tios...

Na verdade, em qualquer forma de amor, por vezes temos mesmo que nos colocar na perspetiva do outro para melhor nos entender.
Não é mudarmos a nossa forma de ser. A coruja nuca deixará de ser coruja por se por de patas para o ar.
Desejar entender o outro para desejar ser entendido penso que é o maior desejo deste dia.
Não seria melhor sempre que falassemos não fossemos mal entendidos, sem más interpretações?
Seria certamente mais "gostoso" se tudo fosse sempre muito mais fácil do que na realidade é.
É na estranheza das coisas que por vezes encontramos o engraçado que nos cola em alguém e nos faz amar esse mesmo alguém.
E nunca percebemos bem porquê...
Mesmo nos colocando de pernas para o ar....

Bom dia dos namorados!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Cartas de Amor


Para aquele rapaz de olhos lindos...
Para a menina de cabelos dourados...
Para a minha mãe que sempre me acompanhou...
Para o meu irmão presente em todos os momentos...
Para o meu pai que faz tudo por mim...
Para a minha filha que é a minha razão de viver...
Para aquela pessoa que já partiu...

Pode ser para quem nós desejarmos e pode ser anónima.

Pode ser para quem leu este post ou para outras pessoas que pensamos que têm mesmo jeito para palavras sentidas e ideias originais.

Pode ser para quem começa agora a sentir ou para pessoas com mais experiência e que têm muito para contar. Sem limite de idades.

A receção de cartas de amor da 4ª Edição do Concurso Cartas de Amor 2018 do Centro Educativo e de Formação Espaço Crescer termina já dia 14 de fevereiro.

Envie a sua para espacocrescer2012@gmail.com


Boas cartas amorosas!

domingo, 28 de janeiro de 2018

Bom e mau profssional


Ainda sobre a Super Ama, apesar de não ter visto qualquer necessidade de ler notícias sobre o assunto, deram-me a conhecer que a psicóloga que fazia parte do programa não tem filhos e é solteira.
Ora, desde esse dia, em que vários foram os que acharam nisso a lógica para o seu desempenho, que me pergunto: para sermos bons profissionais temos que ter passado por tudo o que dizemos?
A isso chama-se experiência de vida, que pode ser uma mais valia para o desempenho profissional, ou pode ser um obstáculo para uma visão mais alargada visto que as ideias podem ir fixas e pré-feitas.
Para ser médico preciso de ter tido todas as doenças que vou curar? Preciso de saber lidar com elas, ter a teoria e conseguir colocá-la em prática com eficiência quando necessário.
Para ser bom mecânico de Mercedes preciso ter um Mercedes? Preciso de perceber de mecânica e procurar informação sobre uma marca que desconheço para a manusear com eficácia.
Para ser professora preciso ter filhos, ser uma enciclopédia e ter filhos com todas as necessidades educativas especiais? Preciso saber a teoria para ter ferramentas de modo a dar resposta ao que surja, com base em cada aluno com quem vou trabalhando e saber sobre os conteúdos que vão entrando e saindo dos programas curriculares.
O que pretendo dizer com isto é que a nossa cultura, a portuguesa, evoluiria muito se deixasse de procurar culpas dos outros e começasse a pensar antes naquilo que diz e faz, com base teórica fundamentada de modo a fazer quando é preciso e com qualidade. Falar por falar é simples e não tem qualquer efeito. Ou melhor, parece ter efeitos negativos.
Com isto, não pretendo dizer que defendo a transmissão do programa.
Defendo a não utilização de argumentos pessoais para rebaixar o profissional de modo a ganhar uma batalha a qualquer custo.
Isso torna-nos pequenos...

Bom domingo!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Espaço Crescer 2016/2017


Flyers, cartazes ou panfletos do Centro Educativo e de Formação Espaço Crescer (https://espacocrescer2012.wordpress.com/) no ano letivo 2016/2017.

Espelham a evolução e o trabalho continuo que temos feito ao longo destes anos.

A abertura de segunda loja, mesmo no centro de Ovar, em articulação com Olhos de Gato Música trouxe-nos bastantes melhorias e melhores ofertas formativas e de complemento de formação académica, profissional e pessoal.

Mais e melhores parcerias trouxeram também novos serviços - https://espacocrescer2012.wordpress.com/parcerias/.

Boa continuação de ano letivo!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Perspetiva dos outros


Eu, como fazendo parte de "outros", assisti ao primeiro programa no domingo passado.
Fi-lo pois é a minha área de trabalho, não sendo eu psicóloga.
Fi-lo pois em conversa com pais no Centro Educativo e de Formação Espaço Crescer me referiram que iriam assistir ao programa pois têm crianças difíceis em casa e esperavam aprender muito.
Pessoalmente, chorei nos primeiros 10 minutos do programa.
Porquê? Nem sei...
Porque me chocou a forma como aquela mãe estava a falar e a agir com a filha.
Porque nem imagino o que vai na cabeça da mãe e em que estado estará a sua saúde mental para tornar público o seu desespero. Recriminá-la por isso? Hum...
Depois o meu pensamento passou para a psicóloga, apenas pensando "Está a meter-se na boca do lobo. Vai ter consequências..."
Depois, todo o desenrolar do programa é apenas a prática daquela profissional com base no seu ponto de vista, que é tão válido como outro qualquer. Recriminá-la por isso? Hum...
No dia seguinte, foi o BOOM! E o meu pensamento foi para a SIC.
Lá inteligentes e estrategas eles são... Conseguiram toda a atenção. As consequências negativas serão quase nulas, mesmo que o programa acabe rápido.
Os outros..., onde eu estou incluída, só espero que não façam vida negra à mãe, à avó e à criança. Espero mesmo que as ajudem em vez de ocuparem o seu tempo e gastarem as suas energias a apontar o dedo.
Os mais próximos delas, será que agora perceberam que algo não estava bem?
Não digo que nos metamos na vida uns dos outros mas por vezes ajuda olhar um bocado para a esquerda e para a direita e dar uma mãozinha quando necessário.
Mas, até este campo é sensível, pois a ajuda pode não ser bem vista.
O que se passa dentro das portas de casa, fica dentro dessas mesmas portas.
Eu, como fazendo porte dos outros, não irei ver novamente o programa pois nada posso fazer por aquelas pessoas. A SIC já tem audiências que chegue, também não precisa e mim. Para aprender a lidar com os meus, leio, procuro informação, recorro a profissionais em ambiente mais restrito e familiar, penso, reflito, tento, erro e relativizo.
E, 1000€, se é que foram mesmo, para que servem, no meio disto tudo?

Perspetiva dos avós


A minha filha sempre teve azar, coitadinha.
Eu sempre lhe disse como as coisas eram, mas não me deu ouvidos... O azar foi ter com ela pois ela também se põe a jeito e parece que o procura.
Já a minha neta... Se fosse eu já lhe tinha dado umas belas palmadas e isso resolvia tudo.
Entretanto, como agora sou avó, posso fazer o que não se faz com os filhos: mimá-los até mais não e alinhar nas suas mentiras. A mãe que se oriente.
Se calhar podia ajudá-la educando como se educa um filho mas afinal de contas sou avó ou não sou?
Como a minha amiga disse "Os pais educam e os avós deseducam! Ehehe!"
Mas, agora que a psicóloga cá veio e me disse aquelas coisas que nem percebi bem, vejo que a minha neta melhoraria se fosse tratada de outra forma. A minha filha, é minha filha... Tentei fazer de tudo com ela e deu nisto. Não é o programa que vai alterar alguma coisa...
E, o dinheiro é sempre bem vindo, não vá  minha filha começar a pedir-me emprestado!!