quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Faz o que eu digo...

... não faças o que eu faço.

Quem disse isto?
Não sei, mas era um sábio!

Em passeio por terras de Portugal, deparei-me com um pequeno anúncio de uma colega minha.
Mesmo não a conhecendo nem me tendo cruzado com ela, sinto-a como minha colega pois pertence ao vasto grupo de explicadores existentes neste nosso pequeno país.
Engraçado considerar, sem motivo algum, que a pessoa é do género feminino... Enfim, vá se lá perceber porquê!

O que me levou a parar e a olhar para o que estava escrito com olhos de ver foi o facto de "secundário" estar escrito ao lado de "5º".

Ora bem... Que nenhuma pessoa é uma máquina e que não comete erro algum, nós já temos em consideração.
No entanto, erros como este são um desastre para quem pretende ser o tutor, o mestre, o explicador.

O conhecimento e a sua transmissão passaram a ser vistos como tão banais que já pouco se pára para pensar no impacto que a nossa atitude diária tem nos outros. Que efeito têm os nossos pequenos erros.

Comecemos pelos ciclos: entenda-se que 1º ciclo é do 1º ao 4º ano, 2º ciclo é 5º e 6º anos, 3º ciclo é do 7º ao 9º, secundário é do 10º ao 12º.
Até aqui tudo bem, nada de subjetivo. Apenas um grande erro de impressão no anúncio.

O que é subjetivo é alguém conseguir afirmar que consegue dar explicações do 1º ciclo ao ensino secundário.
Será a todas as disciplinas? Se sim, esse explicador é um génio. Se o é, porque não tem um emprego menos precário?

Isto acontece com as explicações e também com todos os outros serviços.
Como há cada vez mais informação gratuita disponível, todos pensamos que somos autodidatas e que conseguimos ensinar o que sabemos.
Hum... Isso desvaloriza por completo cada uma das profissões e respetivos cursos para chegar até lá.
Que haja gente que tem um dom natural para determinada tarefa sem ser necessário (quase) tirar um curso para saber do assunto, isso já sabemos.
O que me espanta é a quantidade de especialistas sem especialização...

Temos que ter cuidado com o que fazemos, com o que somos e o que demonstramos ser, pois os mais novos tudo observam e são eles o nosso futuro.
Se criarmos fraudes hoje, viveremos na fraude o resto dos nossos dias...

O ditado "Olha para o que eu digo, não faças o que eu faço." é utópico e há provas dadas que o exemplo é a melhor forma de ensinar.

Boas explicações!

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